sábado, 28 de maio de 2011

A parte da filosofia que estuda o que pode e o que não pode ser conhecido.


Teoria do Conhecimento
É a parte da filosofia que estuda o que pode e o que não pode ser conhecido. E se pode se conhecido, como é conhecido? Pela razão e/ou sentidos. As principais correntes modernas com seus respectivos filósofos são:

Ä  O inatismo também chamado de metafísica ou racionalismo cartesiano, cujo principal representante é Renê Descartes, analisa, enfatiza, valoriza e classifica o conhecimento da razão [ou método reflexivo/método sintético/método dedutivo] como sendo universal e necessário.

Ä  O empirismo, cujo principal representante é David Hume, analisa, enfatiza, valoriza e classifica o conhecimento dos sentidos [ou método experimental/método analítico/ /método indutivo] como sendo particular da maioria ou mais geral.    

Ä  O criticismo também chamado de idealismo transcendental ou racionalismo kantiano, cujo principal representante é Immanuel Kant, analisa, enfatiza e valoriza tanto o conhecimento da razão como o conhecimento dos sentidos, porém modifica as concepções postas pela tradição inatista e empirista. 
 
C Atenção!
Os seres/entes podem ser classificados quanto à quantidade, proposta por Aristóteles em sua Lógica Formal, de três modos, a saber:
3 Universal: refere-se ao “todo” ou “nenhum”.
3 Particular: refere-se a “maioria” ou a “minoria”.
3  Singular: refere-se a “um(a)”.   

Ü Duas dicas sobre a quantidade:
1ª. Tudo que for universal considerar também como necessário;
2ª. Tudo que for particular considerar também como possível.

Ü Duas dicas sobre as formas de conhecer:
1ª. Todo o conhecimento produzido pela razão, na concepção inatista, deve ser considerado universal, necessário e verdadeiro;
2ª. Todo o conhecimento produzido pelos sentidos, na concepção empírica, deve ser considerado particular [no sentido de mais geral] e possível[1].

Modos de operação do Método Sintético e do Método Analítico[2]

Ä Método Sintético/Dedutivo: referente à teoria inatista.
¬  Faz uso da razão;
¬  Refere-se à capacidade de pensar;
¬  O conhecimento é universal e necessário;
¬  O saber verdadeiro é inato, puro ou a priori;
¬  A relação é de causa e efeito;
¬  Propõe hipóteses conceituais ou conjecturais;
¬  Vai do simples para o composto: recompõe as coisas;
¬  Parte de princípios universais para explicar fatos singulares ou particulares.

Ä Método Analítico/Indutivo: referente à teoria empirista.
¬  Faz uso dos sentidos;
¬  Refere-se à capacidade de sentir;
¬  O conhecimento é mais geral e possível;
¬  O saber para ser tomado como verdadeiro deve ser pertencente à maioria dos casos, lembrando que no empirismo [de Hume] não há idéias inatas;
¬  A relação é de efeito e causa;
¬  Propõe hipóteses experimentais ou observacionais;
¬  Vai do composto para o simples: decompõe as coisas [dados da experiência];
¬  Parte da repetição de fenômenos singulares ou particulares para a elaboração de teorias mais gerais ou válidas para a maioria;

Teoria do Conhecimento
Empirismo
Ü Principais empiristas ingleses[3]:
ê Francis Bacon 1561-1626: “Saber é poder”;
ê Thomas Hobbes 1588-1679: “Todo ser vivo luta para conservar-se, isto é, evitar o medo da morte”;
ê John Locke 1632-1704: “Nada se encontra na mente não tenha antes passado pelos sentidos”;
ê George Berkeley 1685-1753: “Ser é perceber e ser percebido”;
ê David Hume 1711-1776: “O costume [hábito] é, pois, o grande guia da vida humana”.  

N Cuidado!
¬ John Locke é o pai do empirismo e o pai do liberalismo político;
¬ David Hume é o principal representante do empirismo.

David Hume 1711 - 1776
Ü Vida Intelectual:
¬  Nasceu na Escócia, embora seja considerado pela história da filosofia como um empirista inglês;
¬   Estudou Filosofia, Direito e Comércio;
¬  Seu maior sonho era ser conhecido como um grande escritor literário;
¬  Ocupou importantes cargos da diplomacia inglesa;
¬   Estabeleceu contato com grandes pensadores de sua época, tais como: Adam Smith (Pai do Liberalismo Econômico) e Jean-Jacques Rousseau (suíço que participou da elaboração de idéias iluministas na França). 
  
Ü Principais obras:
¬  “Tratado da natureza humana”, que se divide em:
1ª Parte: Trata do Intelecto: Teoria do conhecimento.
2ª Parte: Trata das Paixões: Psicologia.
3ª Parte: Trata da Moral: Ética.

¬  Investigação acerca do entendimento humano [é a mais citada pela UFU];
¬  Abstract ou Abrégé;
¬  Pesquisa sobre o princípio da moral

Ü Principais características do empirismo[4]:
  • O palco inicial do empirismo foi à Inglaterra.
  • Corrente filosófica do período moderno, essencialmente inglesa;
  • A palavra empirismo deriva do grego empeiria que se traduz geralmente por experiência, que significa contato com algo;
  • Afirma que o conhecimento depende exclusivamente da ação das coisas [objetos externos que afetam os nossos sentidos] sobre nós;
  • Enfatiza o objeto sentido;
  • Assevera que toda idéia presente na mente humana é uma cópia das impressões;
  • N Crítico da metafísica ou inatismo cartesiano;
  • N Afirma não existir idéias inatas, puras ou a priori;
  • N Assegura não ser possível conhecer o objeto em si (internamente ou intimamente), mas somente a sua representação/idéias;

C Atenção!
Para Hume tudo o que não é matemática (geometria, aritmética e álgebra) é indução ou saber empírico.

Análise da Ciência da natureza humana ou Percepções da mente
A percepção da mente humana refere-se à capacidade de percebermos a intensidade das coisas, ora forte (impressões/sentir) ora fraco (pensamento/idéias). Para compreender está relação de intensidade Hume faz uso da lógica. Mas afinal o que ele designa por lógica e qual a sua relação com a mente humana? 
 
Lógica: na tradição é a ciência que ensina os homens a bem conduzir a razão na aquisição de conhecimento verdadeiro. Dito de outro modo: é a ciência, que no caso de Hume, estuda através do método experimental/analítico a composição da ciência da natureza humana [vulgo: “cabeção”], que é formada pela natureza da idéias e pelos princípios e operações das faculdades.

ÄVamos à compreensão mais detalhada:
1. Natureza/origem da idéias: formada pelas...
    1.1. Impressões: capacidade de sentir.     
    1.2. Idéias: capacidade de pensar.                   
   
2. Princípio e operações das faculdades: formada pelas...
    2.1. Memória: capacidade de lembrar, recordar ou retomar.     
    2.2. Imaginação: capacidade de inventar ou projetar.                   
   
Após analisar a mente humana Hume chega à conclusão de que existem dois grandes grupos de ciências, são elas:

Ê Ciências mais dependentes dos homens: são convenções/invenções humanas...
¬  Política;
¬  Moral [Ética];
¬  Crítica do gosto [Estética].

Ê Ciências menos dependentes dos homens: são descobertas humanas...
¬  Matemática;
¬  Filosofia natural [Física];
¬  Religião natural [Teologia].  

Aparelho Representacional Humeano


ÄVamos à compreensão mais detalhada:

¬  Impressões externas: são os sentidos ou sensações. Por exemplo: cor, sabor, cheiro, som, textura etc.
¬  Impressões internas: são os sentimentos ou reflexões. Por exemplo: amor, medo, tédio, felicidade etc.
¬  Idéias simples: são idéias que não admitem divisão. Por exemplo: uma única cor do arco-íris.
¬  Idéias complexas ou compostas: são idéias que admitem divisão, pois são formadas por duas ou mais idéias simples. Por exemplo: todas as cores do arco-íris.  

Níveis de intensidade da percepção da mente humana


Relação entre Impressões e Idéias


C Atenção!
¬  As setas superiores formadas por linhas contínuas podem ser interpretadas como: “remetem às...” ou “originam às...”;
¬  As setas inferiores formadas por linhas contínuas podem ser interpretadas como: “derivam das...”;
¬  A seta superior formada por linha tracejada pode ser interpretada como: “formam às...”;
¬  A seta inferior formada por linha tracejada pode ser interpretada como: “compostas por...”.
   
Ü Modos de operação da Memória:
¬  Opera com idéias mais vivas ou fortes;
¬  Mantém a ordem e posição das idéias;
¬  Remete as idéias às impressões originais;
¬  Passiva: não tem controle sobre as idéias.

Ü Modos de operação da Imaginação:
¬  Opera com idéias menos vivas ou fracas;
¬  Altera a ordem e posição das idéias;
¬  Não remete as idéias às impressões originais;
¬  Ativa: tem controle sobre as idéias.


Análise da Imaginação

A imaginação é a faculdade responsável por dar origem ao hábito ou costume. Este mesmo hábito, por sua vez, cria o princípio de causalidade. Daí serem o hábito e a causalidade dois lados de uma mesma relação, pois o hábito nos dá um conhecimento provável e a causalidade o transforma em possível.

N Cuidado!
                                           Imaginação: é a fonte do hábito ou costume.              
                     
                     Pensar
                                           
                                           Memória: sua passividade não possibilita criar nada.
Hábito


                       Sentir [fazer]: só ocorre por meio das impressões/experiência.  
                   
 

Caixa de texto: Portanto, que fique gravado, o hábito é fruto da imaginação. 



Ä A imaginação se divide em duas, são elas:

 1ª. A Natural (passiva): criação involuntária, que é controlada por três leis universais de associação. Veja:
Caixa de texto: § Semelhança.   

§ Contigüidade: relação de espaço e tempo;

YCausalidade ou causa e efeito. Exemplo: a imaginação associa ferida à dor por causa do nexo causal entre elas. Veja:

                                            
                                            
Princípios ou leis naturais ou universais que guia a imaginação
 
                                               
 

Ocorre
quase
sempre.
 
          


2ª. A Arbitrária (ativa): criação voluntária, que é controlada por três leis universais e quatro leis não universais de associação. Veja:

                                             § Semelhança;
                                             § Contigüidade: relação de espaço e tempo;
Princípios ou leis naturais ou universais que guia a imaginação
 
                                             YCausalidade, causa e efeito ou nexo causal: Exemplo: 
 

Ocorre
quase
sempre.
 
          

 

Princípios ou leis não universais que guia a imaginação
 
                                              § Identidade;
                                              § Graus de quantidade;
                                              § Graus de qualidade;
                                              § Contrariedade.

? Mas afinal o que é o hábito em Hume?                             
Processo de operação da mente humana que ocorre somente na imaginação, seja ela natural ou arbitrária, cujo princípio de causalidade é o responsável pela sucessão de idéias semelhantes no tempo e no espaço, com base ou não na experiência vivida, como forma de prever o que está porvir. O hábito, portanto, vai além da experiência.  

Ä Para melhor compreensão do conceito de sucessão de idéias provocadas pelo princípio de causalidade, fruto do hábito, veja os esquemas pedagógicos abaixo:

1º. Exemplo: relação de origem entre imaginação, hábito, princípio de causalidade e sucessão de idéias.



2º. Exemplo: mostra que de uma idéia inicial (Id. inicial) qualquer, ocorre a sucessão de outras tantas idéias semelhantes, na imaginação, devido ao princípio de causalidade (P.C.).


3º. Exemplo: exemplo prático de como ocorreria os processos descritos no exemplo 1 e 2. Imagine que você está em casa sem fazer nada, naquela situação de mulher encalhada, encanada, encostada e ninguém te deseja. Sua melhor amiga, que está nas mesmas condições, no meio da noite te liga e diz:  “vou passar em sua casa para nós irmos a uma festa”. Pronto, um dos sentidos, no caso a audição, capta através da linguagem a idéia de festa. Esta idéia de festa é a idéia inicial responsável por possibilitar o desencadeamento das demais idéias relacionadas com o facto festa. Veja o que possivelmente pensaria antes da festa:  


Classificação de idéias produzidas pela imaginação
A imaginação seguindo as três leis universais de associação formam três grupos de idéias, são elas:
1ª. Substância ou essência: conjunto de idéias simples reunidas pela imaginação e ligadas a uma palavra a qual lhes dá uma significação mais extensa. Ou, coleção ou união de qualidades singulares ou particulares atribuídas a um nome geral que passa a ter significado mais extenso para a identificação de objetos semelhantes. Aqui se encontra a crítica de Hume à metafísica. Veja:
Na metafísica o que confere, por exemplo, o fato de a maçã ser maçã é o simples fato da maçã ser maçã. Para a teoria empírica o que faz a maçã ser maçã, não é o fato de a maçã ser maçã. Ou seja, o que faz a maçã ser maçã é a união de idéias simples em um único nome mais geral usado para identificar objetos semelhantes.      
  
2ª. Acidentes ou modos: definição idem substância ou essência.

3ª. Relações: que se divide em duas, são elas:
     3.1. De idéias [comparadas]: cujas principais características são:
¬  Opera no campo demonstrativo;
¬  Produz conhecimento universal e necessário;
¬  Não admite contradições;
¬  Trabalha com idéias puras ou a priori;
¬  Representado somente pela matemática: geometria, aritmética e álgebra.

     3.2. De facto [originadas da experiência]: cujas principais características são:
¬  Opera no campo do provável;
¬  Produz conhecimento particular [mais geral] e possível;
¬  Admite contradições, por exemplo: o sol nascerá ou não nascerá amanhã;
¬  Trabalha com idéias empíricas ou a posteriori;
¬  Não pode garantir as suas previsões;
¬  Grupo de idéias onde se encontra a gênese do hábito.

Ä São estes três grupos de idéias da imaginação que permitem afirmar que Hume é cético diante das ciências [empíricas]. Todavia, Hume não chega a pôr em interdição a ciência, embora põe-lhe uma base, um fundamento caprichoso: o fundamento da ciência é o costume, o hábito, a associação de idéias; fenômenos naturais, psicológicos que provocam em mim a crença na realidade do mundo exterior. Eu estou convencido de que amanhã sairá o sol; mas é somente porque estou habituado a vê-lo sair todos os dias.

Idéias ou representações problemáticas na teoria de Hume
 

¬  Caixa de texto: São fictícias, embora não exista nenhum dado que as correspondam na experiência. Eu: conjunto de atributos que associo ou nego a minha pessoa. Por exemplo: afirmo que “eu” gosto de... ou “eu” não gosto de... e, ao final, digo que esse sou eu. Mas cadê a experiência com o eu? Não há.   

¬  Existência;
¬  Substância;
¬  Princípio de causalidade;
¬  Deus;
¬  Objeto do conhecimento.

C Atenção!
Estas representações, produzidas pela imaginação natural ou arbitrária, são problemáticas porque não podem ser verificadas na experiência. Dito de outro modo: dizer que não existem significa afirmar que não podem ser decompostas para serem verificadas na experiência. Por exemplo: a idéia de ‘Quimera’ também é fictícia, mas é possível conhecer a sua origem, para tanto basta decompô-la em idéias simples - neste caso leão, cabra e serpente - que a forma e, em seguida, verificar cada uma destas divisões na experiência. 
   


[1] Aqui se encontra o problema do conhecimento empírico, que é a questão da validade dos fatos com base na experiência. Na tentativa de corrigir esta imprecisão, do saber sensível, o empirismo exclui os dados classificados como singulares ou particulares da minoria, que são tomados como opiniões por serem a menor quantidade das repetições na experiência. Nesse sentido, o saber mais geral, defendido pelos empiristas, não deixa de ser somente uma previsão, visto que o particular da maioria, por não ser universal, admite poder existir erros devido às suas exceções. O que significa dizer que se confirmado o mais geral - repetição comum de fatos semelhantes no tempo e espaço - no individual, a adequação é tomada como válida para este caso, mas não necessariamente para aquele, pois caso o próximo fato singular não se enquadre no da maioria, o mesmo torna-se inválido para a mesma.       
[2] Vale ressaltar que Immanuel Kant altera, em parte, a concepção sobre os modos de operação de ambos os métodos.    
[3] Dados do autor italiano Battista Mondin. 
[4] Estas características foram colocadas tendo como especificidade a teoria empirista de Hume.